quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Literatura - "Hollywood"- Charles Bukowski



Bukowski sempre foi mais reconhecido na Europa do que nos Estados Unidos - país em que seus pais emigraram quando o escritor tinha apenas dois anos. Trabalhou com os mais variados ofícios até conseguir uma vaga na Empresa dos Correios de Los Angeles - cidade em que viveu por toda vida, geralmente frequentando os becos mais sórdidos, onde conheceu os personagens que permearam toda sua obra: os alcoólatras.
Bukowski viveu, bebeu e morreu em Los Angeles. Mas escreveu livros. Quarenta e cinco no total, entre prosa e poesia. A América nunca lhe dera o devido reconhecimento, talvez por medo de se reconhecer a si própria nos textos do autor; textos que externam a condição do homem americano disperso na premissa de que o mundo se divide entre "Losers X Winners".
Ele, Bukowski, venceu. Ou não teria seus livros traduzidos para dezenas de idiomas. É um paradoxo? Pode ser.
Aos 64 anos, o escritor recebeu o convite para criar um argumento de um filme a pedidos de um diretor francês; nunca escrevera nada além de contos, romance e poesia. À princípio a ideia lhe desagrada, Bukowski detestava cinema e ainda mais a indústria hollywoodiana. Mas a grana é boa e ele aceita.
"Hollywood" foi escrito em 1989 e narra todo o périplo do autor em criar o argumento, conviver com astros do cinema e as notórias dificuldades de se produzir um filme. Está tudo lá: produtores sem dinheiro, atrizes em crise profissional, diretores suicidas, magnatas endividados e lógico, muito álcool para suportar tantos egos e "personalidades". Um prato cheio para um especialista em diálogos rápidos, irônicos, certeiros.
Um livro indispensável de Bukowski, comparado pela crítica européia à Céline, Hemingway e Henri Muller.
Trechos escolhidos: "Eu morava num conjunto de casas populares na Carlton Way, perto da Western. Tinha cinquenta e oito anos e ainda tentava ser escritor profissional e vencer na vida apenas com a máquina de escrever. Iniciara esse curioso meio de vida aos cinquenta anos. Mas não se pode viver sempre escrevendo, e havia muito espaço a preencher. Eu o preenchia com uísque, cerveja e mulheres. Acabei me enchendo da maioria das mulheres e me econcentrei no uísque e na cerveja."
"O grande momento chegou. Pus a máquina de escrever em cima da mesa, encaixei uma folha de papel e bati nas teclas. A máquina ainda funcionava. E havia bastante espaço para um cinzeiro, o rádio e a garrafa. Não deixem ninguém convecê-los de outra coisa. A vida começa aos 65".

2 comentários:

  1. Comprei ontem, Márcio. O velho Buk é um dos meus favoritos e eu amei a dica! Depois conversamos sobre o livro. Parabéns pelo texto! Beijos.

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  2. Carlinha querida!!obrigado pelo comentário!!Esse blog precisa de comentários!!Bom,quando quiser querida!!beeijos!!

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