sábado, 15 de outubro de 2011

Festival do Rio : Cinema - "Funkytown" de Daniel Roby


"Montreal Limelight" foi um famoso nightclub canadense da década de 1970; uma espécie de Studio 54 dos vizinhos americanos. Alain Montpeitit era um ator e celebridade símbolo da era "disco" local - pode-se encontrar alguns vídeos do astro no youtube. O diretor Daniel Roby baseou-se na errática e trágica trajetória de Montpetit para realizar uma radiografia dessa geração regada a cocaína, Donna Summer e sexo desenfreado a poquíssimos anos da descoberta da AIDS.
"Funkytown" estreou no festival do Rio com a sala lotada em plena sexta-feira à tarde. É um seríssimo candidato a blockbuster dada a variada gama de personagens em seus dramas pessoais: o dono de uma boate sem preceitos éticos para obter o máximo de lucro possível, as vaidades dos profissionais do meio televisivo em busca de riqueza e glamour, a luta cotidiana para manter um casamento de pé entre assédios de beldades e ofertas de droga barata e a negação de "sair do armário" no seio de uma família conservadora italiana. Tudo isso bem costurado em um roteiro que segue os dogmas do cinemão hollywoodiano; apresentação de personagens/primeiros conflitos/evolução dos clonflitos/clímax/ e final.
Segundo longa-metragem do diretor - nascido em Quebec em 1970 - , "Funkytown" não chega a surpreender, mas recomendo pela segurança da direção em um filme tecnicamente correto.

domingo, 9 de outubro de 2011

A volta dos vinis (11) - "Viver e morrer em Los Angeles" - trilha sonora


Wang Chu é o nome do duo formado pelos músicos Hues Jack e Feldman Nick; na ativa até hoje, após alguns períodos de tormenta, a dupla londrina teve seu auge comercial na metade dos anos 1980. A trilha sonora do filme "Viver e morrer em L.A" explica esse êxito.
O interesse em falar sobre o disco está na síntese da sonoridade oitentista apresentada pela dupla: não conheço nenhum álbum da época tão paradigmático quanto às propostas estéticas "pop" dos anos oitenta. Está tudo lá; o uso "indiscriminado" dos sintetizadores "cifrados" por Prince, bateria eletrônica à revelia, a batida seca e frenética da caixa e a incorruptível e errônea sensação de salto à modernidade. Pode soar datado mas não deixa de ser emblemático.
O lado A abre com "To Live And Die in L.A", sucesso radiofônico do disco, que ganhou o 41º lugar na Parada da Billboard. "Wake up, stop dreaming" é outro exemplo de pop bem sucedido da época, com um poderoso refrão impregnado de teclados "clean" - duas faixas menos inspiradas fecham esse lado. O segundo lado - melhor - é todo instrumental e consegue dar o tom "noir modernoso" que paira sobre o filme; uma espécie de thriller onde agentes secretos da CIA e o Departamento de polícia de Los Angeles competem entre si no quesito "corrupção" - Willen Defoe protagoniza a película.
Bela trilha para pegar o carro de manhã e curtir um sábado ensolarado de praia, com a certeza absoluta de estar em 1986; quais são as vantagens de estar em 1986? Bom, isso mereceria um outro post.

domingo, 2 de outubro de 2011

Cinema - "Medianeras" de Gustavo Taretto


Primeiro longa-metragem do diretor porteño Gustavo Taretto, "Medianeras" é uma moderna e engenhosa comédia de desencontros, encontros e tarja-preta. O filme começa com uma narração em off do protagonista sobre as relações entre paisagem arquitetônica de Buenos Aires e a paisagem "interna" de seus habitantes - humor tipicamente argentino. Oscar Wilde dizia que o "pessimista é um otimista bem informado" e nossos vizinhos hermanos sempre foram muito céticos em relação à condição humana. Se no final do século XX - antes do advento da internet - filósofos franceses já nos alertavam sobre o excesso de individualismo do homem contemporâneo, imagine no ano de 2010; sexo, comida, trabalho e diversão - você pode garantir tudo isso sem sair de seu apartamento. E solidão, muita solidão.
Martín é um web-designer que foi abandonado pela namorada; não tem amigos, passa doze horas diárias em frente ao computador; a única recordação da amada é um cachorrinho que ela deixou pro rapaz cuidar. São os únicos momentos que Martin desce de seu apartamento pra ver a luz do dia. Pilar é vizinha dele. Sofre de fobia de altura e terminou uma longa relação depois de inutilmente lutar contra o "superego" do namorado. Seu trabalho consiste em projetar vitrines de moda feminina; passa mais tempo entre manequins do que entre seres humanos. A incomunicabilidade enfrentada por Martin e Pilar em relação aos seus semelhantes é um traço comum de suas personalidades - e exatamente essa característica os unirá. Roteiro muito bem costurado, atuações despretensiosas e uma fotografia que ilustra com primor tensão/estética urbana. Imperdível.