domingo, 7 de agosto de 2011

Literatura - "Minha fuga sem fim" - Cesare Battisti


Cesare Battisti foi condenado pela justiça italiana por quatro assassinatos ocorridos na década de 70. "Minha fuga sem fim" - editado pela Martins Fontes - relata desde os tempos de atuação terrorista até a fuga insólita para o Brasil. Filho de um comunista e criado num entorno católico, Batisti é produto de uma época em que a "Itália era um mero satélite Americano". Pasolini havia alertado sobre os perigos do "Facismo de consumo", tão nocivo quanto o Facismo como sistema político. Cesare entrou para a organização PAC -Proletariado armado pelo Comunismo - e participou de pequenas ações do grupo. Segundo sua narrativa, nunca disparou um revólver, nunca foi convencido por completo da opção pela via armada. Abandonou o grupo depois de ocorrerem os primeiros assassinatos. E nunca foi perdoado por isso. Após a detenção dos principais membros do PAC, Batisti consegue exílio na França. Lá, fixa residência e inicia a carreira de escritor policial. Trabalha como zelador no edifício em que mora, se casa e tem duas filhas. Através dos jornais recebe a informação de que foi julgado e condenado à prisão perpétua; sem provas materiais ou testemunhas, a acusação se baseia somente no que se conhece por "delação premiada"- seus ex-comparsas jogam todos os assassinatos em suas costas e conseguem a redução de pena. Chega a ser culpado por dois crimes que ocorreram ao mesmo tempo, numa distância de 500 km. A própria acusação pede aos delatores que formulem" melhor" suas versões para culpar Battisti. "Minha fuga sem fim" é um brado de defesa em que o terrorista italiano expõe sua visão dos fatos que levaram a opinião pública a condená-lo como um "monstro". E ele - como todos os seres humanos - tem o irrefutável direito de se defender.
Trecho escolhido: "Pietro Mutti forneceu aos magistrados tantas versões, constantemente contraditas por outros arrependidos,que chegaram a ameaçar retirar-lhe a proteção e mandá-lo para a cadeia junto com os ex-companheiros que ele havia denunciado. Pietro Mutti me acusou de tantas coisas que nenhum magistrado honesto,que dedicasse algum tempo para examinar suas declarações,acreditaria,nem um instante sequer,naquele fabuloso amontoado de mentiras."

2 comentários:

  1. Cesare Battisti is a man of many qualities. It's one of those who would be able to defend the marijuana and when caught by the justice would say: I smoked but did not inhale.
    Battisti was a member of a terrorist group in a democratic country.

    That was the Norwegian, whose name is Anders Breivik Behring, 32 years several people were shot because he disagreed with the Labour party and multiculturalism. The only mistake of the Norwegian was not having had the blessing of Pasolinni.

    Two murderers who killed for ideological futility

    love

    L.G.

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  2. That`s right, dude..I see you on the right side...I just want for Batistti a new judgment.

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