sexta-feira, 24 de junho de 2011

"A volta dos vinis"(7) - John Coltrane - "Blue train"


Se W. C. Handy foi o primeiro músico a orquestrar um blues, Duke Ellington organizou e ao mesmo tempo subverteu essa orquestração; sem dúvida, o maior compositor e regente de jazz de todos os tempos. John Coltrane tinha em mente essas duas influências quando entrou em estúdio em setembro de 1957 para gravar "Blue train". Acompanhado por "Philly" Joe Jones nas baquetas, Paul Chambers no baixo,Kenny Drew no piano e os metais de Lee Morgan(trumpete) e Curtis Feller(trombone), o maior saxofonista tenor da história mergulhou fundo no estilo "Hard bop" da época sem deixar de reverenciar as tradições orquestrais do blues. O fraseado bluesy da faixa homônima que abre o disco, logo é selvagelmente interrompido por um solo de Coltrane, seguido com a mesma intensidade pelo trompete de Lee Morgan até ganhar nitidez e sobriedade no trombone de Curtis Feller; como se Coltrane quisesse dizer; "calma, ainda estamos na primeira música do disco!". O lado A termina com "Moment´s notice", com destaque para os solos de Morgan e Coltrane além do exímio acompanhamento rítmico de Joe Jones. É com ele mesmo - em uma monumental virada de bateria - que inicia o lado B com "Locomotion", seguida de um emotivo solo de sax de Coltrane para a única faixa não assinada pelo saxofonista no disco, o standard "I´m old fashioned". O crítico Robert Levin diz que um dos maiores atributos da obra é a "liberdade" experimentada pelo sexteto sem negar um princípio de organização; lição bem aprendida de Duke Elligton, porém o resto, é puro Coltrane. "Blue train" é um dos mais felizes encontros entre o hard-bop e o blues.

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