terça-feira, 14 de junho de 2011

Cinema - "Ao cair da noite" de Roger Vadim


Brigitte Bardot se isolou do mundo e abandonou a carreira cinematográfica no início dos anos 70; para a musa, a causa dos direitos dos animais era mais factível do que estrelar filmes de conteúdo "suspeito"; "o ser humano não vale à pena", disse numa entrevista da época. Sobraram farpas ao ex-marido, o diretor Roger Vadim, responsável por impulsionar a ascendente carreira da atriz francesa; em parte, tem razão; "E deus criou a mulher" expõe Brigite num mero arquétipo de fêmea frívola, sem saber o que fazer com o próprio desejo. A pergunta é simples: ela topou o papel? sim, então, Vadim se exime da acusação. "Ao cair da noite" foi lançado em 1958 - dois anos depois do êxito mundial de seu primeiro filme - e se nota, pelo breve tempo de espaço entre ambos, a maturidade de Brigitte como atriz. Rodado inteiramente em uma zona rural da Espanha, a película trata do amor e seus dilemas num meio de opressão moral e religiosa. Com todos os elementos necessários para o "drama" - paixões inconfessáveis, crime acidental, fuga e desejos reprimidos - a trama se desenvolve sem grandes surpresas; o trunfo está justamente nela; o cinema americano nunca esteve "preparado" para a sensualidade de Bardot; o cinema inglês só reconheceu alguma diva à altura quando Jane Birkin surgiu duas décadas depois. A atriz francesa seduz mesmo quando grita, ofende e chora. Roger Vadim sabia disso. "Ao cair da noite" só vale por ela, aquela que Deus criou, e que nós nunca vamos esquecer.

2 comentários:

  1. Fernando disse

    Faltam filmes desta musa para ter uma sequência do que aquelas atrizes de 50, 60 e 70 eram capazes de fazer nas nossas mentes; de como o cinema consegue envolver tão bem tais mulheres em um set.

    Um abraço

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