domingo, 15 de maio de 2011

"A volta dos vinis"(5) - Arrigo Barnabé - "Suspeito"



Arrigo Barnabé surgiu no final da década de 70 ao lado de nomes como Itamar Assumpção, Ná Ozzetti, Rumo, Tetê Espíndola - entre outros - num movimento musical denominado de "Vanguarda paulista". O grupo atuava fora da Indústria fonográfica oficial - mais por questões de mercado do que propriamente opcional - e o público interessado em boa música agradece: a coragem e a determinação desses artistas em bancar produções independentes , longe de realizar as tais "concessões artísticas" em nome de grandes vendagens, deixou um legado único na música popular brasileira. Compositor erudito de formação, Arrigo gravou quadro discos na década de 80 e espero comentar cada um deles aqui no blog - sem me prender à ordem cronológica.
"Suspeito" foi lançado em 1987, com participação de Tetê Espíndola e produção de Dino Vicente; apesar de abusar dos recursos de sintetizadores -tão em voga na época - o disco sobrevive como um marco pop da década de 80; da bossa de "A serpente" até à balada de "Êxtase", a música tem um pé no sinfônico, outro pé no popular - quase brega; "Você tem medo de fazer amor comigo/você tem medo de acordar com um bandido", diz a letra da faixa título. O primeiro rap brasileiro talvez esteja nesse disco; "Dedo de Deus" é falado do início ao fim, em meio de sons rodeados de samplers, teclados e bateria eletrônica. "Já deu pra sentir" compostada por Itamar Assumpção e regravada por Cássia Eller no seu disco de estréia, tem um belíssimo arranjo de cordas e violão, com a letra meticulosamente susurrada por Arrigo - bem diferente da versão de Cássia. Um artista de olho na modernidade e com os pés na modernidade. A obra de Arrigo Barnabé é uma das mais originais e inventivas da música popular brasileira.

3 comentários:

  1. Esse é fera. Discipulo de Stravinski sua música segue o mestre da dodecafonia.Isso sem falar nas letras que são simplesmente fantásticas. Valeu meu véio. Grande dica.
    Abrax
    L.G.

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  2. A música contemporânea brasileira anda envolvida em uma tal mesmice (pelo menos a que vem a público) que um Arrigo (um Itamar) em passado tão recente parece obra de ficção.

    Bacana teu blog; estarei por aqui. Abraço

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