sexta-feira, 11 de março de 2011

"A volta dos vinis"(4) - Charlotte Gainsbourg - "lRM"



Ser filha de Serge Gainsbourg e Jane Birkin não é exatamente uma condição confortável para quem opta pela carreira artística. Charlotte Gainsbourg tem o mérito de obter luz própria sob o peso das duas "lendas" que a conceberam ao mundo. A moça - nem tão moça assim nos seus 37 anos - possui um currículo de 32 filmes, um prêmio no Festival de Cannes além de dois Cesars faturados no início de sua carreira como atriz. E Charlotte também canta. Depois de debutar na música aos treze anos, com um disco inteiro composto pelo pai, a francesa gravou outras duas obras; "5:55" em 2006, tendo o grupo Air como banda de apoio e "IRM"- lançado
em 2009. É sobre esse último que vou comentar.
No formato vinil "IRM" virou álbum duplo - um charme. O lado A é composto por três faixas que anunciam a atmosfera sombria que está por vir; flerte com o trip-hop, susurros, ecos vocais cadenciados com ritmos eletrônicos de baixa tensão. Na canção que dá título ao disco ela nos pergunta; "Tire uma foto/ o que tem dentro?/uma imagem fantasma/na minha mente".Violinos e celos consturam o arranjo de "Le chat du café des artistes" - outro petardo desesperançado em que a doce voz de Charlotte proclama:"Então me jogue para o gato/talvez ele recuse meu braço e meu fígado/mas escolha o momento certo/para que então coma meu coração". No lado B, as melodias sugerem uma súbita mudança de ânimo apesar do caráter niilista das letras. A clássica "Heaven can wait" tem a participação de Beck nos vocais - também produtor do disco e autor da maioria das faixas. Os lados C e D dividem sete canções com sonoridades que se entrecruzam e se complementam, dando o caráter contemporâneo e intimista do disco. "IRM" é para ouvidos exigentes, sensibilidades aguçadas e mentes com o mínimo de desconfiança sobre o que as pessoas chama lá fora de "realidade".

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