sábado, 19 de março de 2011

Literatura - "Todo terrorista é sentimental" - Márcio Menezes


Estimados amigos e blogueiros, meu primeiro romance "Todo terrorista é sentimental" já se encontra nas livrarias de todo Brasil, lançado pela editora record; são 350 páginas com certos componentes autobiográficos onde escancaro - com a devida dose de ficção - a sensação de impotência e indignação com a classe política brasileira. Quem nunca disse para si mesmo, depois de assisitir a outro escândalo de corrupção em Brasília, que mandaria todos esses deputados para o inferno? No livro, três estudantes universitários levam às ultimas consequências essa insatisfação e criam de forma amadora e desordenada, o Comando Terrorista Anti-Corrupção.
O pano de fundo é o Rio de Janeiro dos anos 1990; a seleção brasileira conquista o tetra-campeonato Mundial , os "cara-pintadas" elegem e "derrubam" Collor, Chico Science pousa no Circo Voador pela primeira vez e o Plano Real é a aposta à tão sonhada estabilidade econômica.
Entre todos esses acontecimentos, um deputado "explode" dentro de seu jaguar...dois meses depois outro político morre nas mesmas circunstâncias e ...
Bom, não posso contar mais!!

sexta-feira, 11 de março de 2011

"A volta dos vinis"(4) - Charlotte Gainsbourg - "lRM"



Ser filha de Serge Gainsbourg e Jane Birkin não é exatamente uma condição confortável para quem opta pela carreira artística. Charlotte Gainsbourg tem o mérito de obter luz própria sob o peso das duas "lendas" que a conceberam ao mundo. A moça - nem tão moça assim nos seus 37 anos - possui um currículo de 32 filmes, um prêmio no Festival de Cannes além de dois Cesars faturados no início de sua carreira como atriz. E Charlotte também canta. Depois de debutar na música aos treze anos, com um disco inteiro composto pelo pai, a francesa gravou outras duas obras; "5:55" em 2006, tendo o grupo Air como banda de apoio e "IRM"- lançado
em 2009. É sobre esse último que vou comentar.
No formato vinil "IRM" virou álbum duplo - um charme. O lado A é composto por três faixas que anunciam a atmosfera sombria que está por vir; flerte com o trip-hop, susurros, ecos vocais cadenciados com ritmos eletrônicos de baixa tensão. Na canção que dá título ao disco ela nos pergunta; "Tire uma foto/ o que tem dentro?/uma imagem fantasma/na minha mente".Violinos e celos consturam o arranjo de "Le chat du café des artistes" - outro petardo desesperançado em que a doce voz de Charlotte proclama:"Então me jogue para o gato/talvez ele recuse meu braço e meu fígado/mas escolha o momento certo/para que então coma meu coração". No lado B, as melodias sugerem uma súbita mudança de ânimo apesar do caráter niilista das letras. A clássica "Heaven can wait" tem a participação de Beck nos vocais - também produtor do disco e autor da maioria das faixas. Os lados C e D dividem sete canções com sonoridades que se entrecruzam e se complementam, dando o caráter contemporâneo e intimista do disco. "IRM" é para ouvidos exigentes, sensibilidades aguçadas e mentes com o mínimo de desconfiança sobre o que as pessoas chama lá fora de "realidade".

quarta-feira, 9 de março de 2011

Literatura - "Vício inerente" - Thomas Pynchon


É a primeira vez que faço a resenha de um livro sem terminá-lo. Há dois motivos para isso: o primeiro; o medo "ancestral"de se chegar na última página e acabar o romance ; o segundo - inveja, muita inveja "criativa" desse que é considerado um dos maiores escritores da virada do século: Thomas Pynchon.
"Vício inerente"é a oitava obra do autor americano; uma narrativa "lisérgica" ambientada na califórnia dos anos 70. O protagonista - um detetive "chapado" com grandes laços afetivos na comunidade hippie e nos bast fonds locais - se vê mergulhado em um caso onde se mistura especulação imobiliária, grupos racistas, traficantes, ex-músicos adictos, mulheres à beira de colapsos mentais, dentistas mafiosos, groupies zen budistas, e claro - o alvo inicial da investigação - um "figurão" de Los Angeles desaparecido. Tudo isso embalado ao melhor rock and roll e surf music da época.
Pynchon consegue manter o fôlego alucinado da narrativa sem perder o ritmo ao longo de 460 paginas; muitas vezes o leitor pode se perder no meio da centena de referências cinematográficas, musicais, televisivas e literárias citadas por Pynchon. O autor não abre mão desse recurso para situar o perfil psicológico-cultural dos personagens. O grau de inventividade na descrição de determinadas ações - que invariavelmente não vão se revelar determinantes na resolução do caso - beira a genialidade. Um dos grandes mestre da literatura mundial

Trecho escolhido: "De volta à sua casa, Doc ficou um tempo olhando uma pintura em veludo de uma das famílias mexicanas que montavam as suas barraquinhas de fim de semana ao longo dos bulevares que atravessavam a planície verde onde as pessoas ainda andavam a cavalo entre Gordita e a estrada. Saindo das vans para as calmas primeiras horas da manhã vinham Crucificações e Santas Ceias da largura de sofás, motoqueiros foras da lei sobre Harleys elaboradamente detalhadas, super-heróis durões com uniformes das Forças Especiais carregando M16s e por aí vai. Este quadro de Doc mostrava uma praia do sul da California que nunca existiu - palmeiras, moças de biquíni, pranchas, essa coisarada toda. Ele pensava nele como uma janela por onde olhar quando não dava conta de olhar pela de vidro do tipo tradicional do cômodo ao lado.Às vezes nas sombras a paisagem se iluminava, normalmente quando ele estava puxando fumo, como se tivessem mexido no botão da contraste da criação só o suficiente para tudo ficar com uma aura, um contorno radiante, e prometer que a noite estava a ponto de se tornar épica, de alguma maneira.