terça-feira, 10 de novembro de 2009

"A volta dos vinis (2)" - Nico - "Chelsea Girl"


Encontrei esse disco pelas lojas da rua Tallers - "templo" dos colecionadores de música em Barcelona - e não acreditei : era a primeira vez em que vi "Chelsea girl" em formato vinil.
A maioria dos críticos tem uma opinião comum sobre Nico : sem dúvida, sua carreira e sua personalidade seguem sendo um dos maiores mistérios da música pop. E "Chelsea Girl" é sua pedra inaugural.
O curioso é que ela não gostou do resultado final do disco e culpou seu produtor, Tom Wilson. Onde havia flautas,ela queria guitarra e onde houvesse cordas, Nico preferiria percussão. Bob Dylan (no auge), John Cale, Lou Reed e Jackson Browne lhe enviaram músicas. Leonard Cohen se ofereceu para tocar guitarra. Em 1967 Nico parecia ter o mundo em suas mãos; modelo bem sucedida, fluente em quatro idiomas, "queridinha" de Andy Warhol e "extra" de Fellini, a cantora alemã não era pouca coisa. Brian Jones e Jim Morrison se derreteram por ela, mas a musa estava mais interessada na heroína.
"Chelsea girl" é uma obra de arte. Nunca o pop dos anos 60 flertou tão acertadamente com os instrumentos da música clássica. A abertura de "The fairest of the seasons" e o arranjo de "These days" comprovam isso. O disco segue uma atmosfera "medieval" com flautas e violinos em "White sister" e "Winter song". Nico antecipa o que viria em seus próximos trabalhos solo com a experimental "It was a pleasure then"; com um vocal mais parecido aos rituais religiosos-profanos -cheios de misticismo - do que o vocal de um simples disco de folk. Ela investiria por esse caminho - o desconhecido, o transcendente, o espiritual - até o final da sua carreira. Sua relação com as drogas contribuiu pra isso.
"Chelsea Girls" - a canção de Lou Reed que nomeia o álbum - revela o ambiente freak-junky dos inferninhos de Nova Iorque, tão frequentado por ela. A música é triste, noturna e comovente.
Nietzche dizia que tudo "o que é belo e perfeito,deseja morrer". Nico não quis ser uma exceção.