terça-feira, 20 de outubro de 2009

Literatura - "Noir"(5) - Dashiell Hammett - "A mulher no escuro".


Em um famoso ensaio chamado “A arte singela do assassinato”, o mestre Raymond Chandler comentou que Dashiell Hammet “(....) tirou o assassinato dos ambientes elegantes e o jogou nas vielas(...)”. O pai do gênero noir dotou de um inédito realismo as tramas policiais até então impregnadas de pistas inverossímeis e resoluções baseadas no intelecto do investigador. Para Hammet, o trabalho de um detetive estava nas ruas, nas esquinas e no contato diário com o cidadão comum – ou com o delinqüente.É sempre interessante relembrar que o próprio Hammet trabalhou como detetive na Agência Pinkerton durante sete anos. “Mulher no escuro” foi publicado na revista Liberty – em três partes – em abril de 1933. Hammet estava no auge de sua carreira literária e o que escreveu depois nunca repetiu o êxito alcançado até essa data. A narrativa começa quando uma mulher – aparentemente ferida – aparece inesperadamente na casa de Brazil: é noite e em 1933 nenhuma mulher ousaria tocar na porta de um homem desconhecido. Mas ela é a “mulher no escuro”. Ele, um ex-presidiário envolvido em assassinato. Escrito com singela simplicidade e diálogos curtos e diretos, o livro é uma pequena jóia do universo de Hammet.

Trecho escolhido: “Acho que estava esperando que alguma coisa acontecesse, algo que me indicaria que direção tomar. Bem, quem apareceu foi você. É o suficiente”.

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