sábado, 3 de outubro de 2009

Literatura - "Noir" (4) - Raymond Chandler - "O longo adeus".


The Long Goodbye” é considerado um dos grandes romances da literatura Americana do século XX. Ao lado de Dashiell Hammett, Raymond Chandler deu a narrativa policial o status “artístico” que faltava ao gênero. Esses autores começaram a publicar seus contos nas revistas chamadas “pulp” – com papel de celulose barato e preços acessíveis, o típico “ler e jogar fora” – que obtiveram enorme êxito editorial nos Estados Unidos na época da depressão. Detetives frios e sentimentais, belas mulheres que exploram ao máximo sua sensualidade em troca de benefícios financeiros e a barra-pesada dos sub-mundos de São Francisco e Nova Iorque. A literatura “noir” introduziu no gênero policial o realismo que faltava as obras de seus antecessores. A descoberta de um caso é fruto de muita investigação – seja nas ruas ou nos ambientes mais requintados – e não de uma inspiração divina surgida de “sextos sentidos”.No caso de Raymond Chandler, a beleza feminina geralmente está associada ao trágico, ao crime, a morte. Sua principal criação, o detetive Philip Marlowe, é ético sem ser moralista, vive de forma honesta e não se fascina pelo dinheiro – algo quase inconcebível em uma Los Angeles sitiada pelo crime organizado e pelo glamour da Industria de Hollywood.“O Longo Adeus” é o sexto romance de Chandler, escrito em 1953 e levado às telas por Robert Altman nos anos 70. Nele, o detetive Marlowe se vê em um caso onde assassinato, fuga e suicídio se fundem em um entorno onde a traição e a lealdade são postas em cena; tudo começa quando nosso protagonista resolve ajudar um bêbado que não consegue conduzir seu próprio rolls royce, ao lado de uma femme fatale, na noite de São Francisco. A partir de um gesto solidário, Marlowe trava amizade com Terry Lennox – homem de passado obscuro casado com um belo exemplar do gênero feminino. Um dia Lennox aparece em seu apartamento com uma automática calibre médio, um passaporte falso e a oferta de 500 dólares para que Marlowe o leve até o aeroporto, onde pegará um vôo até Tijuana. Sem perguntas. Em um longo adeus.

Trecho escolhido: “- Eu sou um escritor. Eu deveria saber por que as pessoas piram. Mas não entendo porra nenhuma a respeito de ninguém.”

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