terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cinema : Série Paul Morrissey (4) - "Flesh for Frankenstein".


“Flesh for Frankenstein” marca um novo rumo na cinematografia de Paul Morrissey. Produzido em 1973 e realizado na Cinecitta ,o filme possui uma produção profissional antes nunca vista em suas películas; a narrativa segue uma estrutura formal e a fotografia abandona o estilo quase documental de seus filmes anteriores. Joe Dallesandro protagoniza essa versão trash e de veras bizarra do mito de Frankestein. No filme – bem ao estilo Morrissey – o Barão de Frankestein é casado com sua irmã e se dedica ao ambicioso projeto de criar um “novo homem” e uma raça pura a partir de pedaços de corpos amputados. Udo Kier – que também trabalhou com Lars Von Trier – é o louco barão que segue em busca do homem e da mulher perfeitos e que juntos perpetuarão a nova espécie. Para isso não medem esforços em mutilar os corpos que sejam necessários. A coisa se complica quando Frankestein escolhe o cérebro de um amigo do amante da Baronesa, que era um sério candidato a monge, para começar a nova espécie. E os monges não procriam…Muito sangue, tripas e drama com um Joe Dallesandro interpretando pela primeira vez um persongem que não é ele próprio. No próximo capítulo, “Blood for Drácula”.

Literatura - "Noir"(5) - Dashiell Hammett - "A mulher no escuro".


Em um famoso ensaio chamado “A arte singela do assassinato”, o mestre Raymond Chandler comentou que Dashiell Hammet “(....) tirou o assassinato dos ambientes elegantes e o jogou nas vielas(...)”. O pai do gênero noir dotou de um inédito realismo as tramas policiais até então impregnadas de pistas inverossímeis e resoluções baseadas no intelecto do investigador. Para Hammet, o trabalho de um detetive estava nas ruas, nas esquinas e no contato diário com o cidadão comum – ou com o delinqüente.É sempre interessante relembrar que o próprio Hammet trabalhou como detetive na Agência Pinkerton durante sete anos. “Mulher no escuro” foi publicado na revista Liberty – em três partes – em abril de 1933. Hammet estava no auge de sua carreira literária e o que escreveu depois nunca repetiu o êxito alcançado até essa data. A narrativa começa quando uma mulher – aparentemente ferida – aparece inesperadamente na casa de Brazil: é noite e em 1933 nenhuma mulher ousaria tocar na porta de um homem desconhecido. Mas ela é a “mulher no escuro”. Ele, um ex-presidiário envolvido em assassinato. Escrito com singela simplicidade e diálogos curtos e diretos, o livro é uma pequena jóia do universo de Hammet.

Trecho escolhido: “Acho que estava esperando que alguma coisa acontecesse, algo que me indicaria que direção tomar. Bem, quem apareceu foi você. É o suficiente”.

sábado, 17 de outubro de 2009

Cotidiano - "A segunda morte de Hélio Oiticica"


Frases como "Longa é arte , tão breve a vida" ou "morre o artista e sua obra permanece" povoam o mundo da artes - território habitado por românticos, pessoas sensíveis e gente de "espírito". Mas o que acontece quando a obra "morre"? Hélio Oitica foi vitimado por um acidente vascular cerebral há 29 anos e seguia mais vivo do que nunca com seus bólides, parangolés e "penetravéis" circulando pelas principais galerias de arte contemporânea do mundo. Sexta-feira passada, 16 de outubro de 2009, Oiticica morreu outra vez. A falta de entendimento entre o poder público e a família do artista plástico não ocasionou o incêndio que destruiu 90% do acervo de Hélio mas provocou a irresponsável situação de ter toda sua obra guardada na residência do irmão , no bairro do Jardim Botânico, zona sul do Rio. Sem estar assegurada. É uma tragédia irreparável à cultura brasileira.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cotidiano - "Exposição de Jorge Guinle no MAM"


"Belo caos" é o nome da maior exposição já feita do pintor carioca Jorge Guinle. Em total são 46 pinturas e 26 desenhos que ocupam o segundo andar do Museu de Arte Moderna do Rio até 8 de novembro. Vitimado pela aids em 1987, o artista foi um dos responsáveis pela revalorização da pintura no cenário brasileiro na década de 80. É impossível permanecer indiferente ao seu estilo abstrato fortemente influenciado pela arte contemporânea do século XX. Jorginho tinha técnica - estudou no Rio, Paris e em Nova Iorque - mas o caráter intuitivo de sua pintura é o que impacta o visitante no primeiro contato com sua obra. Era um colorista corrosivo. No texto do programa - com a curadoria de Ronaldo Brito e Vanda Klabin - o pintor recebe o mérito de haver "liberado a pintura moderna do seu arraigado intimismo" além de revitalizar o" instinto de pintura". Melhor do que elocubrar sobre a obra de Jorge Guinle Filho, é ver o maravilhoso legado que deixou à arte brasileira.





sábado, 3 de outubro de 2009

Literatura - "Noir" (4) - Raymond Chandler - "O longo adeus".


The Long Goodbye” é considerado um dos grandes romances da literatura Americana do século XX. Ao lado de Dashiell Hammett, Raymond Chandler deu a narrativa policial o status “artístico” que faltava ao gênero. Esses autores começaram a publicar seus contos nas revistas chamadas “pulp” – com papel de celulose barato e preços acessíveis, o típico “ler e jogar fora” – que obtiveram enorme êxito editorial nos Estados Unidos na época da depressão. Detetives frios e sentimentais, belas mulheres que exploram ao máximo sua sensualidade em troca de benefícios financeiros e a barra-pesada dos sub-mundos de São Francisco e Nova Iorque. A literatura “noir” introduziu no gênero policial o realismo que faltava as obras de seus antecessores. A descoberta de um caso é fruto de muita investigação – seja nas ruas ou nos ambientes mais requintados – e não de uma inspiração divina surgida de “sextos sentidos”.No caso de Raymond Chandler, a beleza feminina geralmente está associada ao trágico, ao crime, a morte. Sua principal criação, o detetive Philip Marlowe, é ético sem ser moralista, vive de forma honesta e não se fascina pelo dinheiro – algo quase inconcebível em uma Los Angeles sitiada pelo crime organizado e pelo glamour da Industria de Hollywood.“O Longo Adeus” é o sexto romance de Chandler, escrito em 1953 e levado às telas por Robert Altman nos anos 70. Nele, o detetive Marlowe se vê em um caso onde assassinato, fuga e suicídio se fundem em um entorno onde a traição e a lealdade são postas em cena; tudo começa quando nosso protagonista resolve ajudar um bêbado que não consegue conduzir seu próprio rolls royce, ao lado de uma femme fatale, na noite de São Francisco. A partir de um gesto solidário, Marlowe trava amizade com Terry Lennox – homem de passado obscuro casado com um belo exemplar do gênero feminino. Um dia Lennox aparece em seu apartamento com uma automática calibre médio, um passaporte falso e a oferta de 500 dólares para que Marlowe o leve até o aeroporto, onde pegará um vôo até Tijuana. Sem perguntas. Em um longo adeus.

Trecho escolhido: “- Eu sou um escritor. Eu deveria saber por que as pessoas piram. Mas não entendo porra nenhuma a respeito de ninguém.”