domingo, 20 de setembro de 2009

Literatura - "Noir" (3) - Raymond Chandler


Considerado o segundo “pai” da literatura noir, Raymond Chandler introduziu no gênero policial – ao lado de seu mestre Dashiell Hammett – realismo e uma dose de cinismo nunca vista entre seus antecessores. Cinismo e ternura refletidas em seu principal personagem, o mítico Philip Marlowe: sentimental e “looser” por excelência, o detetive figurou em oito romances escritos pelo autor.Para Paul Auster, Chandler inventou uma nova maneira de falar sobre a América, e desde então, a América nunca mais foi a mesma.Nascido em Chicago e criado na Inglaterra, o escritor teve uma sólida formação literária propiciada em uma prestigiada escola pública Londrina. Foi jornalista, trabalhou em bancos até ser executivo de uma empresa Petrolífera onde perdeu o emprego por assediar as secretárias. Lutou na Primeira Guerra Mundial e se mudou para Califórnia, onde viveria toda sua vida.Se casou com uma mulher 18 anos mais velha que lhe propiciou a segurança econômica para escrever. Influenciado pelo realismo das novelas policiais de Dashiell Hammett, onde encontrava o decadente universo moral do vale-tudo para o “sonho americano”, Chandler criou um detetive cínico que não participava das ambições de poder e dinheiro compartida por seus compatriotas. Seu personagem trabalhava por 25 dólares diários, desprezava as tentações capitalistas e tinha um modesto escritório.Em sua narrativa, o cotidiano do detetive – com suas dúvidas, privações e impressões sobre seu entorno – é mais importante do que o simples relato das “pistas” em busca da solução do caso. O cinismo e a ironia de seu texto dotaram à novela policial um “status” literário incomum ao gênero naquela época. Chandler teve seus contos publicados na popular revista “Black Mask” e com o êxito alcançado se dedicou a escrever romances; foram mais de dez e muitos deles levados ao cinema com interpretações de estrelas como Humphrey Bogart, James Stewart, Robert Montgomery e Charlotte Rampling.Morreu em Los Angeles, em 1959, como um dos grandes nomes da literatura americana do século XX.

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