domingo, 30 de agosto de 2009

Literatura - "Noir" (2) - Dashiell Hammett


Antes dele - na literatura policial - todos os detetives eram dotados de um “sexto sentido” e as soluções para os casos de assassinatos dependiam de pistas mínimas que despertavam “o gênio intuitivo”do investigador. Antes dele, o principal objetivo da narrativa policial era a resolução do caso e ponto final ; e geralmente a culpa era do mordomo. Dashiell Hammett trabalhou como detetive em uma das principais agências norte-americanas na década de 20 e depois de vários bicos como escritor de publicidade decidiu optar pela carreira literária. Sentia a necessidade de dotar à narrativa policial elementos realistas do processo de investigação e também – e por que não? – revelar o lado “b” da sociedade americana. Foi o inventor do gênero “Noir” onde detetives durões circulavam pelos ambientes mais cosmopolitas e sujos de São Francisco e Los Angeles, onde a corrupção era a ordem do dia em plena lei seca. A crescente complexidade delitiva em uma América afundada na “Depressão” era um material e tanto e Hammett não o desperdiçou. No começo dos anos 20 a ficção policial tinha grande entrada no público americano ao lado das novelas de aventura devido o surgimento das revistas “pulp”; a baixa qualidade do papel e o preço acessível faziam dessas edições êxitos seguros no mercado. Era o típico “ler e jogar fora”. Dashiell começou publicando seus contos nessas revistas até ser convidado para escrever na “Black Mask”, a mais prestigiada de todas. Logo se percebeu que em sua narrativa havia algo mais; o fato de haver trabalhado como detetive lhe proporcionou um código moral, técnicas de observação e uma familiaridade com os tipos menos recomendáveis que impregnou sua literatura de um realismo até então inexistente no gênero; seus diálogos rápidos e curtos e a breve descrição de cenas de perseguição misturadas com doses de cinismo e violência, serviriam para o cinema feito na década de 30. A imagem do detetive de cachimbo, sentado comodamente numa poltrona em sua vasta biblioteca, estava morta.


Um comentário:

  1. Aaaaa, migo, então o cinema não foi o inventor de tal gênero! Nada como um amigo metido a culto por perto.

    P.D.: Será que eu sou um "tipo mesno recomendável" ?!~#¡

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