segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cotidiano - "A morte de Brian Jones, 40 anos depois".


Ele foi o líder e fundador da maior banda de rock and roll de todos tempos. No início dos anos 60, a imagem de um grupo chamado The Rolling Stones, correspondia ao carisma e ao talento de Brian Jones. Sua morte - ocorrida no dia 3 de junho de 1969 - ainda está rodeada de mistérios: oficialmente Brian morreu afogado na piscina de sua mansão em Cotchford Farm, em Sussex. O inquérito policial concluiu que o guitarrista sofreu uma morte acidental já que era asmático e resolveu nadar à noite - algo nada recomendável para pessoas com essa enfermidade. Pesava o fato de que Brian era para época o que Amy Winehouse representa hoje aos diários sensacionalistas britânicos: um viciado com alguns milhões de dólares. O caso é que 40 anos depois, a polícia local resolveu reabrir o inquérito. Duas testemunhas que se encontravam na casa da vítima na noite de sua morte, revelaram que Brian e um dos seus empregados - Frank Thorogood - haviam discutido: ambos estavam dentro da piscina e o músico foi visto inconsciente logo depois. A versão oficial da morte do guitarrista dos Rolling Stones nunca convenceu a opinião pública. Estava claro que para a conservadora sociedade Inglesa - assustada com as trangressões dos jovens dos anos 60 - era conveniente atribuir a morte de Brian ao abuso de drogas. O problema era que o laudo da necropsia apontou que o músico havia consumido apenas 3 copos de cerveja. A relutância da polícia de Sussex em reabrir o inquérito demorou 40 anos. O principal suspeito, Frank Thorogood, morreu em 94 sem se pronunciar sobre o caso. A retomada da investigação se deve ao trabalho do jornalista Scott Jones; há mais de 4 anos que Scott pesquisa todos os detalhes envolvendo a trágica noite de 3 de julho de 1969. O jornal "The Mail on sunday" comprou a briga e nesse momento a polícia de Sussex destacou um agente para revisar as 600 páginas documentadas pelo jornalista.
Esse blog opina que Brian foi assassinado e seu assassino está morto. Sua reputação como um grande músico ficará para sempre. O que pensa a sociedade britânica sobre ele, é passado.

domingo, 30 de agosto de 2009

Literatura - "Noir" (2) - Dashiell Hammett


Antes dele - na literatura policial - todos os detetives eram dotados de um “sexto sentido” e as soluções para os casos de assassinatos dependiam de pistas mínimas que despertavam “o gênio intuitivo”do investigador. Antes dele, o principal objetivo da narrativa policial era a resolução do caso e ponto final ; e geralmente a culpa era do mordomo. Dashiell Hammett trabalhou como detetive em uma das principais agências norte-americanas na década de 20 e depois de vários bicos como escritor de publicidade decidiu optar pela carreira literária. Sentia a necessidade de dotar à narrativa policial elementos realistas do processo de investigação e também – e por que não? – revelar o lado “b” da sociedade americana. Foi o inventor do gênero “Noir” onde detetives durões circulavam pelos ambientes mais cosmopolitas e sujos de São Francisco e Los Angeles, onde a corrupção era a ordem do dia em plena lei seca. A crescente complexidade delitiva em uma América afundada na “Depressão” era um material e tanto e Hammett não o desperdiçou. No começo dos anos 20 a ficção policial tinha grande entrada no público americano ao lado das novelas de aventura devido o surgimento das revistas “pulp”; a baixa qualidade do papel e o preço acessível faziam dessas edições êxitos seguros no mercado. Era o típico “ler e jogar fora”. Dashiell começou publicando seus contos nessas revistas até ser convidado para escrever na “Black Mask”, a mais prestigiada de todas. Logo se percebeu que em sua narrativa havia algo mais; o fato de haver trabalhado como detetive lhe proporcionou um código moral, técnicas de observação e uma familiaridade com os tipos menos recomendáveis que impregnou sua literatura de um realismo até então inexistente no gênero; seus diálogos rápidos e curtos e a breve descrição de cenas de perseguição misturadas com doses de cinismo e violência, serviriam para o cinema feito na década de 30. A imagem do detetive de cachimbo, sentado comodamente numa poltrona em sua vasta biblioteca, estava morta.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Literatura - "Noir"



Estimados amigos, antes de iniciar a série sobre Paul Morrissey , me deu uma insana vontade de falar sobre a literatura americana, especialmente o “policial noir”.
Explico: ao reler “Squeezy play” – primeiro livro de Paul Auster sob o pseudônimo de Paul Benjamin – mergulhei fundo naquela época dos anos pós - depressão americana. Foi difícil não me identificar com os decadentes personagens, os ambientes enfumaçados , no jazz, no álcool e na eterna solidão urbana em que viviam. Já me sentia atraído esteticamente pelos Filmes Noir – locações reais, sombras intermináveis, alto contraste claro-escuro, uso de ângulos inusitados – então me propus a descobrir sua literatura, as obras em que muitos desses filmes foram inspirados. Agregando às outras séries, começarei breves resenhas sobre os fundadores desse gênero; Raymond Chandler e Dashiell Hammet. Até!

Cinema : Série Paul Morrissey


Ao passar o fim de semana revendo alguns clássicos de John Casavettes, decidi escrever sobre o cinema independente Americano. Mais especificamente sobre outro mestre indie: Paul Morrissey. Esse nova-iorquino - formado em literatura pela Fordhan University -tinha apenas 27 anos quando Andy Warhol lhe convidou para projetos experimentais na sua recém inaugurada Factory. Com alguns curtas no currículo , o jovem Morrissey foi mais além em assumir os projetos cinematográficos do estúdio ;ele influenciou Warhol em sua forma de ver cinema. Morrissey também propôs a Factory que “batizasse” uma banda. Escolheu o Velvet Underground e incluiu a Nico como integrante. Ele administrou o Velvet e os projetos visuais de Warhol até 1967; filmes atribuídos ao mestre da Pop-art como “Chelsea Girls” (1966), “My Hustler” (1965), “Imitation of Crist” (1967) e “Bike boy” (1967) , tiveram a supervisão de Morrisey. A partir de “lonesomes cowboys” (1967), o jovem diretor escreveu e dirigiu todos os filmes apresentados por Warhol. É a partir daí que vamos comentar sobre algumas de suas películas. Paul Morrissey seria o equivalente cinematográfico do Velvet Underground; o que Lou Reed escrevia, Morrissey filmava. E filmava sexo. Sexo e heroína. Heroína e alienação. Personagens de uma Nova Iorque que contemplava o glamour e encontrava o lixo, o vício e a auto-destruição. Morrissey trabalhava com atores ocasionais, gente que interpretava na tela a sua própria vida e muitas vezes os nomes dos atores eram os mesmos dos personagens. A câmera hiper-realista serve de lente humana para uma realidade que está fora de controle e que por isso mesmo parece ficção. Os diálogos são largos e seguem sem interrupção o fluxo dos personagens; palavras do próprio Morrissey “Filmes são sobre personalidades.Quanto melhor a personalidade, melhor o filme”. No próximo capítulo, “Trash” de 1970.

domingo, 16 de agosto de 2009

"A grande novela americana"














Jack Kerouac foi fundamental na minha formação; aos 14 anos, quando li "On the road" pela primeira vez, o mundo ganhou uma "nova e alarmante dimensão" - termo emprestado de um romance de John Fante. Eis a minha surpresa ao deparar com a primeira obra de Kerouac em uma livraria do Centro do Rio: "The town and the city" foi lançado ano passado pela L & PM, com tradução de Edmundo Barreiros. Influenciado por Tom Wolf, o jovem Kerouac queria escrever a "grande novela americana", que abarcasse todos os sentimentos de uma nação tão complexa quanto simplória à primeira vista: do prosaico cotidiano das pequenas cidades do Norte ao cosmopolitismo delirante de Nova Iorque. A estória gira em torno dos Martin e seus oito filhos; dentre eles destaco três : Francis - o intelectual que rejeita o provincianismo de seu entorno, Peter - o "astro" do futebol da pequena Galloway que graças ao seu talento ganha uma bolsa para estudar na "big apple" e Joe - o herói aventureiro em busca das liberdades de uma América recém mergulhada em seus mitos cinematográficos. Foi a única tentativa do autor em escrever um romance "tradicional". Pontuado em ações narradas de forma clássica, o estilo de Kerouac se encontra muito distante do que se leria em "On the road", publicado 7 anos depois. Longe de se tornar a "grande novela americana" que pretendia escrever, "The town and the city" não deixa de ser obrigatório aos interessados no universo do maior escritor da geração Beat.


Trecho escolhido :


" E o que diz a chuva à noite em uma cidade pequena, o que a chuva tem a dizer? Quem caminha sob os galhos melancólicos e gotejantes escutando a chuva? Quem está ali nos respingos indistintos de milhões de agulhas de chuva, escutando a música grave da chuva à noite, chuva de setembro, tão escura e suave? Quem está ali escutando o ruído rouco e constante da chuva por toda a volta, pensando e escutando e esperando, no escuro lavado pela chuva e que cintila com a chuva da noite?"


"Autor em busca de editora"





















Depois de sete anos em Barcelona, voltei à cidade maravilhosa com um romance debaixo do braço! "Todo terrorista é sentimental" é o título provisório de uma novela que mistura ficção e memória - basicamente sobre os anos 90. A idéia era escrever sobre dois jovens que levam às últimas consequências sua insatifação com a classe política brasileira. Pode-se dizer que é um romance "de geração" e qualquer pessoa com mais de 30 anos viveu intensamente esses momentos ; o impeachment de Collor, o primeiro show de Chico Science no Circo Voador, as discussões sobre o teatro "jovem" carioca, a aposta ao Plano Real e o tetra-campeonato da canarinho. Quem nunca pensou em voz alta - diante de mais um escândalo de corrupção do governo - em mandar a classe política para o inferno? No livro a classe-média, cansada de realizar passeatas pela ética e pela paz, resolve fazer justiça com as próprias mãos.